terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A protagonista que não estava lá

Ausência e melancolia em Sinuca embaixo d’água

Você consegue imaginar Pergunte ao Pó sem Arturo Bandini? Ou O vermelho e o negro sem Julien Sorel? E que tal um Mãos de cavalo sem Hermano?
Pois foi isso que Carol Bensimon fez em Sinuca embaixo d’água (Companhia das Letras, 2009). Ao colocar o início da narrativa após o acidente de carro que mata Antônia, a autora tira de cena a personagem ao redor da qual gira a trama do livro, construindo justamente nesse vazio uma bela história sobre perda e ausência.
Já foi dito por aí que algumas das maiores dificuldades na construção de um bom romance estão em a) criar personagens que sejam de fato humanos, verossímeis e convincentes; b) fazer uma boa opção de narrador. A escolha do foco narrativo múltiplo de Sinuca embaixo d’água é acertadíssima. Porque se uma história sobre perda bem contada por um narrador já é interessante – pelo tanto que pode trazer de carga emocional –, esse mesmo tipo de história narrada por pontos de vista distintos fica ainda melhor, pois mostra de vários ângulos quão devastadora pode ser uma tragédia como a que marca as vidas dos personagens do livro em questão. Mas a escolha por narradores múltiplos traz um problema capital: acertar o tom de cada um deles. E no livro de Carol Bensimon esse objetivo é alcançado e Camilo, Bernardo, Polaco e os outros narrradores ocasionais – Gustavo, Helena, Santiago e Lucas – têm vozes distintas dentro do romance. E são justamente essas vozes que marcam suas identidades, fazendo que a outra dificuldade – relativa à construção dos personagens – também seja superada com sucesso na obra.
Outra característica marcante de Sinuca embaixo d’água são as descrições, bastante minuciosas, e que mais que apenas descrever, também atuam como indícios do estado psicológico dos personagens. Bernardo, por exemplo, talvez um dos mais afetados pela morte da amiga, se preocupa com todos os detalhes de cada cena que presencia, colocando em cada objeto significados que sempre acabam por estar ligados á sua história pessoal com Antônia e que, inevitavelmente, o fazem pensar na morte da amiga:

Dentro da minha mochila, a cinco ou seis metros de mim, estão as obras completas de T. S. Eliot, com meu nome na primeira página, e não foi na sala de aula que veio a vontade de ler, mas em Portrait of a lady pela boca de Antônia. Posso ir até o livro agora, e posso tocá-lo, mas Antônia não pode mais, nem tocar, nem ler, nem declamar Portrait of a lady com seu inglês às vezes descambando para um sotaque do Alabama que me fazia prender o riso, e eu não tenho a menor chance de tocar outra vem em Antônia.

As referências também são parte importante do romance e chama atenção o modo como são espalhadas pelo livro, nunca forçadas, se encaixando naturalmente na narrativa. Sem contar que é especialmente emblemático, principalmente para quem cresceu na década de 90, escutando o Use your Illusion e torcendo para o clip de "Patience" passar na MTV (é, era assim, nao tinha Youtube) ver um personagem falando sobre a indumentária peculiar (leia-se o short com a bandeira dos EUA) de Axl Rose. Mas talvez a passagem que melhor ilustre a maneira como as referências aparecem bem entrelaçadas com a narrativa, seja a que aparece em um dos capítulos iniciais, esse narrado por Camilo, o irmão de Antônia:

Ah, entendo, mas é claro que entendo perfeitamente. Não é legal ser visto num bar quando sua irmã morreu só há dois meses, porque, além de esperarem que você fique chorando trancado no quarto, também desaprovam o fato de você estar cercado de álcool, logo quando uma das desconfianças que as pessoas têm é de que ela estava tão bêbada que não pôde evitar sair voando ladeira abaixo e acabar esborrachada num poste. Mas eu fico em silêncio. Tudo bem com você? Tudo legal. Pearl Jam com os baixos estourando. Is something wrong, she said. Well of course there is. You’re still alive, she said.

Mas assim como canta Eddie Vedder, é claro que há algo errado. Camilo está vivo. Bernardo está vivo. Polaco, Helena, Gustavo. Todos estão vivos. Menos Antônia. E essa vida sem Antônia que precisa ser vivida. Mais do que aceitar a morte é preciso aprender que não há maneira menos dificil de lidar com o vazio dessa perda irreparável.
E talvez um dos pontos principais do romance, aquilo que mais intriga os personagens, principalmente Camilo e Bernardo, possa ser encontrado justamente nos versos seguintes de "Alive" : Oh and i do deserve to be? / is that the question? / And if so, if so / Who answers? Who answers? Mas a morte e a vida não têm nada a ver com merecimento, e se essa é realmente a questão, não há ninguém para respondê-la. A única resposta possível é a ausência de resposta e a única opção, como os personagens vão aprender duramente ao longo do romance, é viver. Apesar de.

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Carol Bensimon nasceu em Porto Alegre, em 1982. Publicou contos no Zero Hora e nas revistas Ficções e Bravo!, entre outros periódicos. É mestre em Escrita Criativa pela PUC-RS, e atualmente mora em Paris, onde cursa o doutorado na Université Sorbonne Nouvelle, na área da Literatura Comparada. Publicou Pó de parede (Não Editora, 2008) e Sinuca embaixo d’água (Companhia das Letras, 2009).

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Leia aqui o primeiro capítulo de Sinuca embaixo d'água.
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domingo, 22 de novembro de 2009

5 livros para serem lidos numa ilha deserta enquanto se espera pelo resgate

Poesia completa - Carlos Drummond de Andrade


Porque Drummond é Drummond. E como já dito em post anterior aqui no blog, ele é um Poeta Maior. Neste volume, é possível se encantar com toda a obra poética do autor e acompanhar sua evolução, desde o poeta gauche de Alguma poesia até a exploração do tema da infância em seus Boitempos. Nada mais agradável e instigante do que ter um livro deste nas mãos enquanto se espera o socorro.


Grande sertão: veredas - João Guimarães Rosa


Grande sertão é, junto com Ulisses, o livro mais badalado em listinhas de dificuldade de leitura. A escrita de Rosa, aliada à linha narrativa de Riobaldo e às 608 páginas sem divisão de capítulos conseguem espantar muitos leitores. Mas quem se aventura se vê perdido num labirinto sem saída: o apreço por Rosa e pelos seus personagens tão complexos e labirínticos quanto qualquer ser humano.


Budapeste - Chico Buarque


O interessante de Budapeste é o exercício de metaliteratura realizado pelo autor. São vários livros dentro de um só livro, que podem ser lidos por várias perspectivas diferentes. Afinal de contas, quem escreveu O ginógrafo? Seria Budapeste o próprio livro escrito por José Costa? Ou ele é o relato escrito pelo ghost writer do ghost writer? Termine de ler o livro e releia com essas questões em mente. Dá para se entreter por um bom tempo.


Ulisses - James Joyce


É o tipo de livro que volta e meia aparece em listas, sejam elas quais forem. Nessa lista, especificamente, ele aparece pelo seguinte motivo: até a pessoa conseguir ler todo o livro e entender os neologismos de Joyce, com certeza o resgate já terá chegado. Vai faltar exílio para tanto livro.

As ondas - Virginia Woolf


A escolha de As ondas vai além de uma suposta obviedade com relação ao cenário. As ondas do título não são exatamente aquelas ondas que você ficará apreciando durante suas férias forçadas na ilha deserta. A estrutura narrativa do livro se realiza através de pequenos monólogos interiores de seis personagens, ao longo de todas as fases de suas vidas. De acordo com Jorge Luiz Borges, em As ondas "não há argumento, não há conversa, não há ação". E sim, ele estava elogiando o livro.

domingo, 15 de novembro de 2009

Quadrinhos, não sei por quê.

Os quadrinhos vieram pra ficar. Não que isso seja novidade, mas agora não tem em vista somente aquele público restrito conhecido como "leitores de HQ", que tinham a lojinha própria e aqueles fãs alucinados, que não liam mais nada nessa vida. Não, agora o público é maior, e as novidades do mundo comic abrangem uma área muito mais diversa do que a que fazia há uns 10 anos atrás. Super-herói ainda é o forte, mas já não é o único assunto.

Adaptações para o cinema são um exemplo dessa popularidade que os quadrinhos ganharam de um tempo pra cá, dividindo espaço, em alguns casos, em pé de igualdade, com as grandes obras-primas da Literatura. Anualmente, em todo o Brasil, são promovidas feiras dedicadas ao gênero e as grandes feiras, antes somente literárias, agora também tem espaço para o gênero.

Até Maurício de Souza aderiu ao movimento dos quadrinhos, dando uma cara nova aos seus famosos e conhecidos integrandes da Turma da Mônica, agora em versão Teens. Sendo assim, com a que aqui chamo de "popularização dos quadrinhos", os clássicos da Literatura não poderiam ficar de fora dessa moda.

Nas mãos de dois irmãos (gêmeos), Fábio Moon e Gabriel Bá, o livro de Machado de Assis, "O alienista", virou quadrinho também. Embora tenham outros trabalhos, entre eles o fanzine "10 pãezinhos", lançado pela Via Lettera, e prêmios, a adaptação de Machado resultou no Prêmio Jabuti em 2008 na categoria "Melhor Livro Didático e Paradidático de Ensino Fundamental ou Médio" . Segundo o próprio Fábio Moon, em entrevista para a Saraiva, "Eu acho que o legal ao fazer uma adaptação literária é criar uma curiosidade nas pessoas, juntando duas formas diferentes. Você pode criar interesse no leitor, de querer saber sobre o cara que faz os quadrinhos, que fez aquela adaptação."

No site dos autores, é possível encontrar mais informações sobre a obra e também outros trabalhos deles. Aqui, somente uma prova do talento dos irmãos. Clique nas imagens, amplie e saiba o porquê.



Em outros sites:
Universo HQ
Acervo HQ
HQ Maniacs

domingo, 8 de novembro de 2009

Flores do Mais

"Ana Cristina dizia que uma das facetas do seu desbunde
fora abandonar a idéia de ser escritora,
livrar-se do que ela naquele momento
julgava ser sua face herdada,
o estigma princesa bem-comportada,
alguém marcada para escrever".
{Ítalo Moriconi sobre Ana C.}

Ana C., para os íntimos, era Ana Cristina César que nasceu no Rio de Janeiro em 1952. Morou em Londres, viajou, deu aulas, traduziu, fez Letras, trabalhou com Jornalismo e televisão, fez pesquisa sobre literatura e cinema, seus livros foram lançados em edições independentes, escreveu para jornais alternativos, e na antologia “26 Poetas Hoje” de Heloísa Buarque, ela também apareceu, suicidou-se no dia 29 de outubro de 1983. O Geleia Geral selecionou alguns poemas desta que foi um marco na poesia marginal daqueles tempos.


olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas


* * *

Tenho uma folha branca
e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma cama branca
e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma vida branca
e limpa à minha espera:

* * *

descuido não (concentração)
lembrar da caretice que você não gosta.
reaproveitar o casaquinho de banton.
quando você mal pensa que é novidade, não é.
Existe uma medida entre o descuido e a
premeditação — trata-se do cuidado (floating
attention). Daí escapam maps of England birds, pessoas seguindo numa certa direção,
bichos que vão virando gente, discretamente eróticos, desejando
mancha transparente e diluída de aquarela cor de rosa,
see?
Medida exata entre o acaso e a estrutura.
Aprender fazendo, baby.
começar pelas médias (daí para pequenas, depois para grandes)

* * *

Que deslize

Onde seus olhos estão
as lupas desistem.
O túnel corre, interminável
pouco negro sem quebra
de estações.
Os passageiros nada adivinham.
Deixam correr
Não ficam negros
Deslizam na borracha
carinho discreto
pelo cansaço
que apenas se recosta
contra a transparente
escuridão.

* * *

Em outras mídias: Vídeos relacionados

sábado, 31 de outubro de 2009

Parabéns, Carlos!

"Contra o próprio parecer do Poeta (...) de que é poeta menor, e de ritmos elementares, e perecível, que não haja ilusão: este é Poeta Maior."
(Antonio Houaiss)



Assim começa Antonio Houaiss sua introdução à reunião de livros de Carlos Drummond de Andrade e fazemos nossas as suas palavras. Em 31 de outubro de 1902 nascia, em Itabira (MG), um dos poetas de maior expressão em língua portuguesa. Dono de uma extensa e importantíssima obra, Drummond produziu inúmeros poemas antológicos, como "José", "A mesa", "No meio do caminho", "A Máquina do Mundo", "Elegia 1938", "A Flor e a Náusea", "Conclusão". Como breve homenagem aos 107 anos que completaria hoje, selecionamos 4 poemas que não dão conta da grandeza da obra do poeta, mas são um leve esboço do que ela promete ser a quem nela se aventura.



Os poderes infernais

O meu amor faísca na medula
pois que na superfície ele anoitece.
Abre na escuridão sua quermesse.
É todo fome, e eis que repele a gula.

Sua escama de fel nunca se anula
e seu rangido nada tem de prece.
Uma aranha invisível é que o tece.
O meu amor, paralisado, pula.

Pulula, ulula. Salve, lobo triste!
Quando eu secar, ele estará vivendo,
já não vive de mim, nele é que existe

o que sou, o que sobro, esmigalhado.
O meu amor é tudo que, morrendo,
não morre todo, e fica no ar, parado.


*


A ingaia ciência

A madureza, essa terrível prenda
que alguém nos dá, raptando-nos, com ela,
todo sabor gratuito de oferenda
sob a glacialidade de uma estela,

a madureza vê, posto que a venda
interrompa a surpresa da janela,
o círculo vazio, onde se estenda,
e que o mundo converte numa cela.

A madureza sabe o preço exato
dos amores, dos ócios, dos quebrantos,
e nada pode contra sua ciência

e nem contra si mesma. O agudo olfato,
o agudo olhar, a mão, livre de encantos,
se destroem no sonho da existência.


*


Composição

E é sempre a chuva
nos desertos sem guarda-chuva,
e a cicatriz, percebe-se, no muro nu.

E são dissolvidos fragmentos de estuque
e o pó das demolições de tudo
que atravanca o disforme país futuro.
Débil, nas ramas, o socorro do imbu.
Pinga, no desarvorado campo nu.

Onde vivemos é água. O sono, úmido,
em urnas desoladas. Já se entornam,
fungidas, na corrente, as coisas caras
que eram pura delícia, hoje carvão.

O mais é barro, sem esperança de escultura.


*


Tristeza no céu

No céu, também, há uma hora melancólica
Hora difícil em que a dúvida penetra as almas
Por que fiz o mundo?
Deus se pergunta e se responde: "Não sei"

Os anjos olham-no com reprovação e plumas caem
Todas as hipóteses
A graça, a eternidade, o amor, caem
São plumas

Outra pluma, o céu se desfaz
Tão manso, nenhum fragor denuncia
O momento entre tudo e nada
Ou seja, a tristeza de Deus

domingo, 25 de outubro de 2009

A poesia dançando no segredo

Prosseguindo com as postagens sobre poetas de Juiz de Fora, trazemos hoje três poemas de André de Freitas Sobrinho (a.k.a André Capilé).
Para se ler a poesia de André, algumas coisas são necessárias. A primeira delas é, sem dúvida, um dicionário. Isso porque o poeta não se contenta apenas com a palavra em si mesma, nem com o significado óbvio dos vocábulos. Há sempre mais por detrás de seus versos, alternativas de leitura que transcendem a significação comum das palavras escolhidas, e que sempre podem potencializar a interpretação dos poemas.
É preciso também não perder a dimensão lírica (no seu sentido mais musical) da poesia, pois um traço forte da escrita de André é a melopéia. De acordo com Ezra Pound, existem três maneiras de "energizar" a linguagem poética, sendo o uso dos sons no texto poético uma delas. E em vários poemas de André é possível notar claramente o uso desse recurso, como em "qualquer nota" ("Vou, úvida uvalã, uivá-la a- / té o caroço; rebento benzo.") e "Boca vaga" ("Tala minúscula ala liqüidada./ Vem, cabra lírica, bé-berra branco. / Manquitola tola besta marcada.").
Mas talvez a melhor definição/ apresentação da poesia de André tenha sido dada por ele mesmo, no poema "por onde soa pessoa não há: há palavra": "tal que a língua atua a tua língua / e qual palavra atua a tua palavra; / então que pá cava tua aorta, / senão a sina de tua lavra?".



PassiFlora

Vestíbulo selvagem bluma
pele que dentes não conhecem.
A véspera das estrias
o sol em louça rígida
miola úmido enigma.

Sementeia pêndula, a redoma

(enruga na gaveta a matura
do fulvo melado para abrando)

bruta, é impossível despir em fatias.

*

Do parto, lembro...

Para Gilvan Procópio

Primeiro que nada
assim nasci: fiquei, antes,
deitado a meio túnel;

tão estreito era –
acordei nas luzes, foi dito –
que posto, enquanto deu, estive.

(O peso colocado – preciso
e necessário – entre tensão e dedos
apartando carne... suam no branco

os dentes mascarados. Vindo
da lâmina: o animal, roxo...
a pele o pelo a banguela o sexo o choro)

Escorri como corpo novo;
capacitei os gestos primos
e as vestes ao espanto

para não negar a tal matura
a sutura e o valor do corte.
– Já hora feita, pari-me. Ir, agora.

*

Inversões

Não fira a tola telha e não nos tolha
Na riste palma ou gesto de afago
Com flama mansa manejar escolha

Nunca vou de indo e vindo fico fido
Poeta Deus canhoto me fez gago
E sussurro em grito no seu ouvido

Leve, carregue de mim mais um trago
Verboso sussurrupio um estalido
Lido na lida e laboro no lido
Não vem troçar de mim senão me rasgo

Expurgando tal gosto vil do amargo
Abro o peito dentro já combalido
Porque te amo: por extenso, amplo e largo
Seu do meu tudo a pena ter valido

*

André de Freitas Sobrinho lançou, em parceria com Carolina Barreto, seu primeiro livro: Dois (não pares) (Anome Livros, 2008). O livro está à venda na Livraria A Terceira Margem ou pode ser adquirido diretamente com o autor no e-mail andrecapile@gmail.com

Outros textos de André no http://textoterritorio.pro.br/site

domingo, 11 de outubro de 2009

Mulheres no volante

O MnV surge com o objetivo de contribuir para a transformação do cenário atual das bandas, dos artistas e dos produtores culturais, ainda predominantemente masculino.


Inspirado em outros festivais de cultura feminista que acontecem pelo Brasil, e que discordam dos padrões sexistas, ainda muito vivos na esfera cultural como um todo, o MnV busca reafirmar e divulgar a produção feminina na música e na arte, incentivando e valorizando o trabalho das mulheres.


Iniciado a partir de uma atitude crítica ao meio social e artístico institucionalizado, o foco do festival se expandiu e se tornou uma proposta de integração entre os sexos, ampliando a sua proposta artística.


O festival promove oficinas (percussão, guitarra, bateria, skate, grafite, malabares, customização de roupas), rodas de conversa (debates) temáticas e congrega diversas manifestações artísticas (exposições, performances, instalações e shows), tudo isso com a função de inserir as mulheres e transformar a sociedade através do âmbito da cultura.


Além de oferecer atividades práticas, como as oficinas, o MnV incentiva e contribui para a cidadania das mulheres através da vitrine cultural proporcionada ao público jovem feminino.


O MnV acontece anualmente, desde 2007, com duração de um dia.


Nas duas primeiras edições, foi realizado no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. Em 2009, será realizado no Estação Cultural (Praça da Estação), no dia 17 de Outubro.


Atraindo, em sua última edição, um público de 500 pessoas ao longo do dia, e obtendo visibilidade nos principais veículos de comunicação de Juiz de Fora, o MnV se consolida como um importante espaço de cultura e reflexão na cidade, proporcionando intercâmbio de experiências entre homens e mulheres; entretenimento, através das diversas manifestações artísticas presentes no festival; e, principalmente, inclusão feminina, através tanto das oficinas, workshops e vitrines culturais oferecidas ao público, quanto através dos palcos, stands e varais, oferecidos às artistas.


No terceiro ano do MnV, as mulheres provam, mais uma vez, que são capazes de guiar seus automóveis, suas vidas, sua arte, suas bandas e seu próprio Festival.


Mulheres no volante
Sábado, 17/10, às 18h na Estação Cultural (Rua Halfeld, 235, Centro)
Ingressos: R$7 (meia) na Pocossô Mulé (Galeria Pio X, sala 301) ou no Studio B (R. Moraes e Castro, 814); R$12 no local do evento (com flyer) ou R$15 no local do evento (sem flyer)